Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.16/1374
Título: Acidentes vasculares cerebrais e sintomas e sinais neurológicos focais transitórios – Registo prospectivo na comunidade
Autor: Correia, Manuel
Data de Defesa: 2006
Editora: Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar - Universidade do Porto
Resumo: Introdução - As estatísticas oficiais mostram que Portugal tem a mais elevada taxa de mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) de entre os países da Europa Ocidental. Não existem dados sobre a incidência de AVC na Região Norte do país, região com a mais elevada taxa de mortalidade, assim como não existem em Portugal estudos de incidência de acidentes isquémicos transitórios (AIT) de base populacional. Para se determinar com exactidão a incidência de AVC e de AIT é necessária uma detecção exaustiva de todos os doentes com manifestações clínicas susceptíveis de serem diagnosticadas como AVC ou AIT. Neste sentido o estudo deve ser abrangente, procurando definir o diagnóstico correcto para um conjunto de manifestações neurológicas com sintomas e sinais neurológicos focais transitórios (SSNFT), que no conjunto de todos, se consideram Acidentes Neurológicos. Objectivos - Os principais objectivos do estudo ACINrpc foram: a construção de um registo comunitário que pertimitisse determinar em populações rural e urbana no Norte de Portugal, 1) a incidência e o prognóstico do primeiro AVC ao longo da vida, 2) a incidência e o prognóstico do primeiro AIT ao longo da vida e 3) a incidência e o prognóstico dos primeiros sintomas e sinais neurológicos focais transitórios não AITs (SNT) e tentando compreender assim o seu significado clínico. Métodos - No período de Outubro de 1998 a Setembro de 2000, todos os suspeitos de terem sofrido o primeiro AVC, o primeiro AIT ou o primeiro SNT, ao longo da vida, numa população de 37290 residentes em concelhos rurais e em 86023 habitantes da cidade do Porto, foram incluídos num registo de base populacional; para o estudo de AITs e SNTs, na área rural, foi considerada apenas uma população de 18677 habitantes. Foram adoptadas definições padrão para AVC e AIT, e uma definição explícita para SNT. Para a identificação exaustiva dos casos utilizaram-se múltiplas fontes de informação. No seguimento os doentes foram observados aos três e doze meses. Resultados - Durante o período de 24 meses foram notificados para o estudo ACINrpc 2031 doentes (802 com suspeita de AVC, 221 com suspeita de AIT e 1008 com suspeita de SNT). Foram registados 688 doentes com AVC, 226 (enfartes cerebrais 77,9%, hemorragias intracerebrais primárias 14,6%, hemorragias subaracnoideias 2,7% e AVC de tipo indeterminado 4,9%) na área rural, e 462 (enfartes cerebrais 75,3%, hemorragias intracerebrais primárias 16,8%, hemorragias subaracnoideias 3,7% e AVC de tipo indeterminado 4,1%) na área urbana. A incidência anual por 1000 habitantes foi de 3,05 (IC 95%, 2,65 a 3,44) e de 2,69 (IC 95%, 2,44 a 2,93) na população rural e urbana, respectivamente; as taxas correspondentes ajustadas para a população padrão Europeia foram de 2,02 (IC 95%, 1,69 a 2,34) e 1,73 (IC 95%, 1,53 a 1,92). A incidência específica por idade segue padrões diferentes na população rural e na população urbana, atingindo a maior discrepância para o grupo etário dos 75 a 84 anos, 20,2 (IC 95%, 16,1 a 25,0) e 10,9 (IC 95%, 9,0 a 12,8), respectivamente. A letalidade aos 28 dias foi de 14,6% (IC 95%, 10,2 a 19,3) na área rural e de 16,9% (IC 95%, 13,7 a 20,6) na área urbana. O risco de recorrência de AVC no conjunto de todos os doentes foi de 1,5% (IC 95%, 0,7 a 2,7) aos sete dias, de 2,7% (IC 95%, 1,5 a 4,0) aos vinte e oito dias, de 3,8% (IC 95%, 2,5 a 5,6) aos três meses e de 7,9% (IC 95%, 6,0 a 10,2) aos doze meses. Foram registados 141 doentes com AIT, 36 na área rural (no território carotídeo 66,7%, no território vertebro-basilar 27,8% e em território considerado indeterminado 5,6%), e 105 na área urbana (no território carotídeo 66,7%, no território vertebro-basilar 29,5% e em território considerado indeterminado 3,8%). A incidência anual por 1000 habitantes foi de 0,96 (IC 95%, 0,43 a 2,33) na população rural, de 0,61 (IC 95%, 0,38 a 1,01) na população urbana e de 0,67 (IC 95%, 0,45 a 1,04) no conjunto de ambas; os correspondentes valores ajustados para a população padrão Europeia foram de 0,67 (IC 95%, 0,45 a 1,04), 0,40 (IC 95%, 0,23 a 0,69) e 0,44 (IC 95%, 0,26 a 0,73). O risco de AVC nos primeiros sete dias após o AIT foi de 12,8% (IC 95%, 7,3 a 18,1), aos três meses de 19,6% (IC 95%, 13,2 a 26,8) e aos doze meses de 24,1% (IC 95%, 14,6 a 28,1). Três factores encontram-se associados à ocorrência de AVC aos 120 dias: idade ≥ 65 anos, o AIT ter ocorrido no território carotídeo e com ≥3 horas de duração. Foram registados 513 doentes com SNT, 73 na área rural, e 540 na área urbana. A incidência anual global por 1000 habitantes foi de 1,95 (IC 95%, 0,94 a 3,76) na população rural, 2,56 (IC 95%, 1,93 a 3,33) na população urbana e de 2,45 (IC 95%, 1,84 a 3,08) no conjunto de ambas as populações; os respectivos valores ajustados para a população padrão Europeia foram de 1,69 (IC 95%, 1,24 a 2,28), 2,04 (IC 95%, 1,52 a 2,71) e de 1,99 (IC 95%, 1,48 a 2,64). Aos doze meses o risco de morte foi de 1,4% (IC 95%, 0,1 a 8,4) na população rural, de 4,6% (IC 95%, 2,9 a 7,1) na população urbana e de 4,1% (IC 95%, 2,6 a 6,3) no conjunto de ambas; o risco de AVC aos doze meses, no conjunto da população rural e urbana, foi de 2,5% (IC 95%, 1,4 a 4,4). Conclusões - A incidência de acidente vascular cerebral nas áreas rural e urbana do Norte de Portugal é elevada quando comparada com a incidência descrita em outras regiões da Europa Ocidental. A elevada taxa oficial de mortalidade por AVC em Portugal, a qual pode ser explicada por uma incidência relativamente alta, não é devida a uma elevada letalidade. A incidência de acidentes isquémicos transitórios no Norte de Portugal, particularmente em populações rurais, encontra-se entre as mais elevadas das descritas em estudos de base populacional comunitária, seguindo de perto a tendência da incidência de AVC. O risco de ocorrência de um AVC é elevado e precoce o que implica educação do público e educação médica, e torna evidente a necessidade de observação médica urgente após um sintoma neurológico focal. A incidência de SNT é superior à incidência de AIT, particularmente na população urbana. A importância e o significado clínico desta entidade assim definida apenas pode ser determinada com o seguimento a longo prazo destes doentes. O conceito abrangente de Acidente Neurológico é útil na abordagem epidemiológica.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.16/1374
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